Sobre o Marília

O futebol de Marília está intimamente ligado à história de duas equipes que durante boa parte das décadas de 1950 e 1960 disputaram a atenção dos torcedores e o privilégio de representar a cidade nos campeonatos da Federação Paulista de Futebol.

A primeira e mais antiga delas era o São Bento, que esteve presente no primeiro Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente à atual Série A2) em 1947 – ano da criação da lei do acesso. A outra é o atual Marília, que nasceu como Esporte Clube Comercial, em 1942.

Com o nome de Comercial, o Marília disputou apenas competições amadoras, atraindo poucos torcedores. O nome não era muito simpático à população, que o achava elitista. Em 1947, uma nova diretoria assumiu o controle do Comercial e mudou o nome para Marília. O clube, no entanto, continuou amador até 1953, quando estreou na Segunda Divisão na vaga deixada pelo São Bento, que se licenciara no ano anterior.

Antônio Abdala (vice) e Antônio Carlos Sojinha (presidente)
Antônio Abdala (vice) e Antônio Carlos Sojinha (presidente)

Foram cinco anos no torneio, até 1957, quando o time licenciou-se das competições profissionais dando lugar ao São Bento, que disputou a Primeira Divisão (equivalente à atual Série A2) de 1958 até 1964 e a Segunda Divisão (equivalente à atual Série A3) de 1965 até 1969. A única participação do Marília no período foi na temporada de 1965. Naquele ano, o Marília disputou a Terceira Divisão (equivalente à atual Segunda, quarto nível do futebol paulista) e o São Bento, a Segunda.

Após representar a cidade por 11 anos, o São Bento mais uma vez licenciou-se, e um grupo de cidadãos, liderados por Pedro Sola, resolveu reativar o Marília. No ano seguinte, o time fez sua reestreia no Paulistão, disputando a Primeira Divisão (equivalente à atual Série A2) no lugar do São Bento. Reestruturado e com apoio da cidade, o time chegou rapidamente à elite, sendo campeão da Primeira Divisão em 1971 e ganhando o direito de disputar a Divisão Especial (atual Série A1) em 1972.

A partir daí, foram 14 participações seguidas no nível mais alto do futebol paulista. O time ficou no topo entre as temporadas de 1972 e 1985, quando foi rebaixado para a Segunda Divisão. A volta à elite ocorreria em 1990, quando o clube foi promovido ao Grupo 2 da Primeira Divisão, onde ficou até 1993, ano em que foi criada a atual divisão do Paulistão e, a partir de 1994, o Grupo 2 tornou-se a Série A2 da Primeira Divisão.

A queda em 1993 desestruturou a equipe, que na temporada seguinte sofreu outro rebaixamento – desta vez para a Série A3. O auge da crise se deu em 1996, quando o clube foi rebaixado para a Série B1-A, quarto nível do futebol paulista na época.

O time ficou na B1-A por três temporadas, voltando à Série A3 em 2000, onde ficou por outras três temporadas. A volta para a Série A2 se deu de forma inusitada. O time terminou o campeonato da Série A3 de 2001 na quinta colocação, o que na teoria não lhe garantiria o acesso. Mas a criação da Liga Rio-São Paulo, em 2002, garantiu mais três vagas na Série A1 – que naquele ano serviu de divisão de acesso para o Rio-São Paulo – e o Marília foi um dos contemplados.

A Liga Rio-São Paulo durou só um ano, quando o Marília disputou e venceu a Série A2, conseguiu o acesso e voltou à elite em 2003. A nova volta coincidiu com um dos períodos mais vitoriosos do clube, que também em 2002 foi vice-campeão brasileiro da Série C, chegando à Série B do Campeonato Brasileiro, competição que disputou até 2008.

Nas duas temporadas seguintes o Marília participou da Série A2 do Campeonato Paulista e da Série C do Campeonato Brasileiro, mas foi eliminado ainda na primeira-fase destas competições.

Em 2011 o Marília acabou rebaixado tanto no estadual quanto no nacional. No ano seguinte, a equipe conseguiu se classificar para a segunda fase da Série A3, mas não conquistou o acesso no quadrangular. Após campanha ruim na Série D do Campeonatro Brasileiro, a equipe acabou perdendo a vaga nas competições nacionais.

Novamente na Série A3 em 2013, o time conseguiu se classificar em 6º lugar. Na segunda fase, juntamente com Batatais, Flamengo e Independente, o Marília conquistou o vice-campeonato e conseguiu voltar para a Série A2 do Campeonato Paulista.

Em 2014, o clube do interior fez a quarta melhor campanha da Série A2 do Campeonato Paulista, atrás somente de São Bento, Red Bull Brasil e Capivariano, e garantiu seu retorno à Série A1 após seis anos.

O Marília não obteve sucesso nas temporadas de 2015 e 2016, e disputará a Série A3 do Campeonato Paulista no ano de 2017.

Nossa História

Fundado por Benedito Alves Delfino com o nome de Esporte Clube Comercial em 1942, a partir de 11 de julho de 1947, passa a se chamar Marília Atlético Clube. Campeão Amador do Interior com apenas um ano de vida, em 1943, profissionalizou-se em 1953, sendo que o seu primeiro jogo profissional foi disputado contra a equipe do Rio Claro, uma vitória por 3 a 1 no estádio Bento de Abreu. Neste mesmo ano, faz sua estreia na Segunda Divisão do Campeonato Paulista, herdando a vaga deixada pela Associação Atlética São Bento, também de Marília. Nessa época, os dois times disputavam as atenções da torcida local, mas poucas vezes se confrontaram no profissionalismo. Ao contrário, havia um “revezamento” entre ambas as equipes: quando uma disputava a outra ficava apenas no amador e vice-versa e, quando as duas disputavam no profissional, geralmente estavam em divisões diferentes.

O MAC disputou o Campeonato Paulista da 2ª Divisão até o ano de 1957, mas, apesar de boas campanhas, não conseguiu o acesso à elite estadual. Em 1958, devido a uma crise financeira, o clube voltaria ao amadorismo. Já em 1965, há um breve retorno ao profissionalismo, disputando o Campeonato Paulista da 3ª Divisão, sendo que em 1966 o clube novamente torna-se amador.

Em 1969, sob a liderança de Pedro Sola, que se tornaria então o presidente do clube, um grupo de cidadãos marilienses retornam o MAC ao profissionalismo. Já em 1971, a equipe consegue o acesso à elite do futebol paulista, tornando-se a primeira equipe da cidade a disputar a Primeira Divisão. Tal feito gerou um período de festas de sete dias na cidade de Marília. A partir de 1972, o MAC disputaria o Paulistinha, que trata-se de um campeonato que classificava seis clubes para que jogassem o Paulistão contra os times grandes. Nos anos de 1972 e 1973 o MAC não conseguiu tal classificação, mesmo com o reforço do atacante Serginho Chulapa, em 1973. Porém, em 1974, no primeiro ano de presidência de Pedro Pavão, o time ganhou o Paulistinha, obtendo o direito de jogar o campeonato de 1975 contra os grandes times do estado. De quebra, foi campeão também do Troféu José Ermírio de Moraes Filho, torneio criado pela FPF com a finalidade de dar atividade para os clubes da Divisão Especial que se encontravam desclassificados. Para fechar com chave de ouro a década de 70, o clube tornou-se campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1979, após bater o Fluminense por 2 a 1 na final, revelando alguns grandes jogadores, como o goleiro Luiz Andrade e também o meia Jorginho, que se consagraria na equipe do Palmeiras na década de 1980. Em 1972 o Marília venceu a copa paulista,conhecida como a primeira divisão da época, vencendo o São Paulo no Abreuzão na final e no jogo de volta empatou em 2 x 2 no Morumbi se sagrando campeão paulista, fazendo historia.

O Marília permaneceu na elite do Futebol Paulista até 1985, quando, após péssima campanha, foi rebaixado para a Segunda Divisão, junto com o seu arquirrival Noroeste. As dificuldades financeiras enfrentadas pela equipe neste período também foram determinantes para a sua queda. O principal destaque do time nesta época era o ponta-direita Zé Guimarães, jogador que veio a fazer sucesso posteriormente no Sport Club do Recife, e que sempre ficou na memória da torcida maqueana. Em 1987, o clube quase conquistou o retorno à elite estadual, fato que não ocorreu principalmente em um jogo contra a Usina São João, atual União São João de Araras, em arbitragem polêmica, terminando o jogo em empate que beneficiou a equipe adversária. O seu retorno ocorreu em 1990, onde foi promovido para o chamado Grupo 2 da Primeira Divisão. Em 1992, o atacante Kel foi o vice-artilheiro do campeonato paulista, mesmo ano em que o atacante Guilherme foi revelado pelo MAC, sendo vendido à equipe do São Paulo. Em 1993, o clube chegou a disputar o Grupo 1, composto pelos principais times do Estado. Porém, neste mesmo ano, o clube foi rebaixado para o Grupo 2. Para piorar a situação, em 1994 houve uma reestruturação feita pela Federação Paulista de Futebol nas divisões do Campeonato Paulista. Sendo assim, o grupo 2 transformou-se na atual série A2, equivalente à Segunda Divisão. Logo após, o clube continuou sua trajetória descendente com os rebaixamentos ocorridos em 1994 para a série A3, e em 1996 para a Série B1-A, equivalente à Quarta Divisão do Futebol Paulista. Após 3 anos nesta série, o clube conquistou o retorno à Série A-3 no ano de 1999, após o vice-campeonato na Série B1-A. Na série A3 de 2000, o clube teve uma campanha razoável, não suficiente para o acesso à divisão seguinte. Um grande jogador na década de 1990 do Marília foi o zagueiro Alemão. O jogador tornou-se um símbolo para a torcida maqueana, devido a sua raça e determinação. Ele iniciou sua carreira no próprio MAC em 1988, e a partir daí esteve presente em todos os acessos conquistados pelo clube no período, assim como nos momentos mais difíceis, como nos anos disputados na Quarta Divisão, encerrando o seu ciclo no clube na campanha de 2002.

A empresa American Sport, presidida por Luiz Antônio Duarte Ferreira, o popular Cai-Cai, assumiu o comando administrativo do clube no ano de 2001. Neste ano, depois de um péssimo início de campeonato, o time conseguiu terminar a Série A3 do Paulista em 5º lugar. Este campeonato garantia o acesso para a Série A2 somente para dois clubes, mas graças à criação da Liga Rio-São Paulo, foram abertas 3 vagas adicionais de acesso, garantindo para o MAC o acesso à Segunda Divisão em 2002. Já em 2002, o MAC obteve a conquista o título da Série A2 do Paulista, e de quebra realizando a primeira final de um Campeonato em seus domínios, enfrentada contra a equipe da Francana. Após uma derrota por 2 a 0 na cidade de Franca, muitos já davam o acesso para a Francana como certo. Inclusive o MAC demitiu o técnico, trazendo para a derradeira final o técnico Luiz Carlos Ferreira, o rei do acesso. Porém, com gols de Edu Esídio, Andrei de falta, e Nei Bala, o MAC conquistou a vitória por 3 a 0 no jogo de volta em Marília, garantindo o seu terceiro acesso conquistado em apenas 4 anos. E o melhor de tudo, com um time que encantava, com vários jogadores de destaque no futebol nacional, e que também se destacariam posteriormente, como os zagueiros Grotto e Andrei, o lateral-esquerdo Rossato, os volantes Perdigão e João Marcos (prata-da-casa), o meia Palhinha (jogador do São Paulo da época do Telê Santana), e os atacantes Edu Esídio, Nei Bala e Sandro Oliveira. A cidade parava para assistir os jogos. No segundo semestre de 2002, coroando o ano, consegue o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, conquistando o vice-campeonato da Série C dentre os 61 participantes, gerando um imenso destaque em âmbito nacional não só para o time como para a cidade de Marília. Este acesso veio com outra campanha impecável, inclusive com a mesma base de jogadores do título estadual do 1º semestre, com alguns reforços como os meias Romerito e Luizinho Vieira. Na sua volta à elite do paulistão, em 2003 o MAC obtém uma fraca campanha na primeira fase. A recuperação veio no rebolo (torneio disputado pelos times desclassificados na 1ª fase, visando definir os rebaixados). O clube termina o torneio em 11º lugar, dentre os 21 participantes. Porém o melhor estava por vir. No segundo semestre de 2003, faria a sua primeira participação no Campeonato Brasileiro da Série B. O técnico Paulo Comelli, leva o time a classificar-se em 7º na primeira fase. Na segunda fase, o clube busca para o comando técnico novamente Luiz Carlos Ferreira, e termina esta fase em 1º do seu grupo, a frente inclusive do tradicional Botafogo, indo para a disputa do quadrangular final junto com o próprio Botafogo, o Palmeiras e o Sport, onde duas dessas equipes alcançariam o acesso à elite do Brasileirão. Mas justo no quadrangular o clube não conseguiu sair-se bem, terminando o campeonato em 4º lugar. Com mais uma campanha memorável, e um grande time, a cidade parava nos dias dos jogos, lotando o Abreusão para ver jogadores como o atacante Basílio e o meia Juca, os grandes destaques do time no campeonato. Em 2004, o time fez uma boa participação no Campeonato Paulista, terminando na 10ª posição, inclusive com uma vitória sobre o Palmeiras pro 2 a 1, com dois gols do veterano atacante Sorato. A classificação para a próxima fase não foi alcançada após o tropeço na última rodada contra o Oeste de Itápolis. Já no Brasileiro da Série B, o time novamente realizou um boa campanha, com direito a uma histórica goleada por 7 a 1 no Sport, na 2ª rodada do Campeonato, terminando a primeira fase em 6º lugar, mas não conseguiu o tão almejado acesso à elite. Destaque para os atacantes Maurílio, e Wellington Amorim, em seu primeiro ano no clube. O MAC consegue um bom início no Campeonato Paulista de 2005, chegando a ocupar a 5ª posição, inclusive com uma vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians (que havia acabado de acertar a tão polêmica parceria com a empresa MSI) no Abreusão, gol do centroavante Frontini, destaque do time na competição. No decorrer do campeonato, a equipe do cai de produção, justamente após uma goleada sofrida por 6 a 0 para a equipe do São Paulo, e assim termina o Paulistão em 12º lugar. Na Série B do Brasileiro de 2005, com a ajuda dos gols de Catanha, Wellington Amorim e Ricardinho, a velocidade de Anaílson e o experiente volante Fernando assumindo o meio-campo do MAC, o time terminou a primeira fase em 2º lugar, ficando somente atrás da equipe do Santa Cruz. Porém, o time não conseguiu a classificação para o Quadrangular Final da competição, ao ser eliminado pelo Náutico e pela Portuguesa. Neste campeonato, ocorre uma das maiores viradas já protagonizadas pelo MAC, onde perdia o jogo para o Guarani de Campinas até os 43 minutos do segundo tempo por 2 a 1, e assim ia dando adeus à segunda fase do campeonato. Mas o time fez dois gols e virou o jogo para 3 a 2, garantindo uma sobrevida.

Na Série A3 de 2013 o tão sonhado acesso veio com uma campanha de recuperação, onde a equipe começou mal o campeonato, mas se recuperou e chegou na última rodada da primeira fase dependendo apenas das próprias forças para se classificar no jogo diante do Taubaté, em Marília. Neste jogo o Tigrão venceu por 2 a 0 e se garantiu na segunda fase. A segunda fase foi marcada por equilíbrio nos dois grupos, tanto que, faltando uma rodada para o seu término, apenas uma equipe havia conquistado o acesso, e todas as outras ainda estavam na disputa. Porém, para a alegria da torcida maqueana, este único clube a se classificar antecipado era o próprio MAC, ao empatar com a equipe do Flamengo de Guarulhos em casa. Com esse empate, aliado ao empate no jogo entre Independente e Batatais, em 09 de maio de 2013, após 2 anos na terceira divisão Paulista, o Marília A.C retorna para a Série A2. O retorno ao Paulistão Já no ano de 2014 no retorno a Série A2, o MAC conseguiu fazer uma bela campanha na Série A2 e conquistou o acesso ao Paulistão. Devido a realização da Copa do Mundo no Brasil, o calendário dos campeonatos estaduais sofreram alterações ficando com período mais curto, por esse motivo o Paulista da Série A2 foi disputado com os 20 clubes jogando entre si apenas em um único turno e ao final das 19 rodadas os 4 primeiros colocados conseguiriam o acesso para o Paulistão 2015. Em 19 partidas disputadas, o MAC obteve 11 vitórias, 3 empates e 5 derrotas, marcando 31 gols e sofrendo 18, e com essa campanha conseguiu o acesso na última rodada ficando na 4ª colocação ao vencer fora de casa o Guaratinguetá pelo placar de 2 a 1.

Nossas Conquistas

Campeonato Paulista Série A2 (2012)
Copa SP de Futebol Jr (1979)
Torneio José Ermirio de Moraes Filho (1975)
Campeonato Paulista Série A2 (1971)